De facto, a Pastora não tem estado a ser uma boa menina para os seus leitores (quase inexistentes). De qualquer das formas, nas últimas duas semanas tem sido muito difícil para a Pastora investir neste seu cantinho, já que o seu tempo livre tem sido mínimo. Isto devido também, ao já anteirormente referido workshop de Cinema Super 8. Que, diga-se de passagem, tem sido um espetáculo!
A primeira semana de workshop foi sobretudo centrada nos aspectos teóricos relativos ao cinema, especificamente ao Super 8. As películas, as câmaras, o funcionamento das mesmas, a importância do som e da luz, os planos, os básicos acerca de argumento, de montagem, entre outras coisas. A Pastora teve inclusivamente oportunidade de cortar e colar película (à antiga) e de descobrir que até tem um certo jeitinho para a coisa.
A segunda semana (esta que está a decorrer), centra-se na parte prática. Ou seja, fazer uma curta com o máximo de 3 minutos e 20 segundos em Super 8. Nas noites anteriores, a Pastora já fez de assistente de realização e ténica de luz de uma filmagem de um colega, bem como de abridora e fechadora de cortinas, em outra curta. And guess what? Hoje é o dia de filmagens da Pastora!
Que o espírito do Alfred Hitchcock esteja comigo…
De qualquer das formas, para vos abrir o apetite, deixo aqui um excerto do esboço (que é para não retirar o mistério necessário relativamente à história) da ideia que criei para o meu pequeno filme:
«Puxe, é uma história de sedução, em que o desejo e a volúpia caminham por entre a fronteira do proibido.
A acção decorre em meados dos anos cinquenta, num qualquer bar citadino, envolto em fumos de tabaco e banhado pelo ritmo dos blues. Uma mulher entra. Cabelos negros, lábios rubros, vestido sedutoramente azul. O seu olhar dirige-se para o fundo da sala, onde se situam as mesas de snooker. Um homem que joga, olha-a. Os seus olhares cruzam-se, cativam-se, prendem-se mutuamente. Ela desvia o olhar e senta-se. Faz o seu pedido. A sua cara de maior gravidade, enquanto mexe no dedo anelar, faz adivinhar alguma indecisão. Passado alguns momentos, decide retirar discretamente a sua aliança, guardando-a dentro da mala. Olha novamente para o fundo da sala, para o homem, agora sua presa e objecto de desejo – a dança começa.
Os seus olhares, gestos e sinais vão-se cruzando e entrecruzando, num diálogo mudo. Os sons preenchidos pela música e pelo ruído das tacadas de snooker marcam o compasso de um jogo de seduções mútuo. Ambos se vão deixando embriagar pela adrenalina da caça, ficando embevecidos pelo grau da sua luxúria. (…)»
